PARECER CREMEC Nº 18/2002

08/07/2002

 

PROCESSO: CONSULTA Protocolo No. 2047/02

ASSUNTO: Retirada de Corpo Estranho do Esôfago

PARECERISTA: Câmara Técnica de Endoscopia Digestiva

                            Componentes: Dr. Augusto José de Araújo Lima – CREMEC 1329

                                                   Drª. Maria Neodan Tavares Rodrigues – CREMEC 1606

 

EMENTA: A retirada com sucesso de um corpo estranho do esôfago em procedimento endoscópico torna desnecessária a realização de exame radiográfico para sua comprovação. Nas mesmas circunstâncias o uso de anti-inflamatórios é desaconselhável pelos riscos de lesões iatrogênicas no aparelho digestivo.

 

Em resposta aos quesitos formulados a esta Câmara pelo CREMEC, sob protocolo de número 002047, passamos a responder às indagações:

  1. A evolução para mediastinite e posterior perfuração do esôfago com morte por hemorragia é ou não um fato extremamente raro e atípico?
  2. Resposta: A evolução de uma retirada de corpo estranho do esôfago para mediastinite é um fato raro, porém, não atípico e a mediastinite segue-se à perfuração do esôfago.

  3. Existe melhor forma de prevenir uma complicação semelhante à que provocou a morte do paciente do que a retirada com sucesso do corpo estranho?
  4. Resposta: A retirada com sucesso de um corpo estranho do esôfago é a melhor forma de prevenir complicações, exceto nos casos da presença de corpo estranho pulsátil em que a conduta será cirúrgica.

  5. Há indicação técnica para a solicitação de um novo RX após a retirada de uma espinha do esôfago, que transcorreu sem anormalidades, sem incidentes e sem sangramentos?
  6. Resposta: Nas condições citadas, ou seja, em que o procedimento endoscópico (retirada de uma espinha de peixe) transcorreu sem anormalidades, sem incidentes e sem sangramentos, não há necessidade de um novo RX.

  7. A prescrição de anti-inflamatórios seguramente evitaria o desfecho do caso e mudaria a evolução negativa?
  8. Resposta: Não

  9. A prescrição de anti-inflamatórios por si só poderia provocar gastrite, úlcera e/ou sangramento digestivo, capaz de mascarar o quadro?
  10. Resposta: Sim

  11. Havia indicação de prescrição de anti-bioticoterapia num paciente afebril e sem queixas após a retirada do corpo estranho?
  12. Resposta: A priori não existe indicação de uso de anti-bioticoterapia nas condições citadas, exceto em pacientes idosos (acima de 60 anos).

  13. A conduta deste profissional encontra respaldo na literatura médica?

Resposta: Sim, dentro das condições citadas. Contudo, convém lembrar que, como descrito na literatura (Endoscopia digestiva – SOBED, capítulo 8 – Edição 1994) nas perfurações do esôfago, em alguns casos isolados pode haver lesões vasculares e formação de fístulas cujo principal sinal diagnóstico é a hemorragia digestiva grave com significativa morbilidade e mortalidade (SCHERR, R.L., TEGIME YER, C.J. & MCLEAN, W.C. Vascular injury following foreing body perfuration of the esophagus. Review of the literature and report of a case. Ann Otol. Rhinol. Laryngol., 99 (9pt1): 698–702, 1990; WEAVER, A. D. & GROWN, T.P. Fatal transesophage al carotid arterial perfuration by thorns in a calf. J. Am. Vet. Med. Assoc., 193 (11): 1415-6, 1998: FUKUNAGA, T.; YAMAMOTO, K.; MIZOI, Y.; NAKAGA WA, K.; YAMAMOTO, Y.; YAMADA, M. & TATSUNO, Y. Aortasophageal fístula by swllowed foreing body – a case and review of the literature. Nippon Hoigaku Zas shi, 43 (4): 333-47; 1989.

Fortaleza, 10 de junho de 2002

Dr. Augusto José de Araújo Lima

Dra. Maria Neodan Tavares Rodrigues