PARECER CREMEC N 07/2005
28/03/2005

 

PROCESSO CONSULTA Protocolo CREMEC No. 001757
ASSUNTO OCT (Tomografia de Coerência Óptica)
INTERESSADO: UNIMED de Fortaleza.
PARECERISTA: Câmara Técnica de Oftalmologia

EMENTA: A Tomografia de Coerência Óptica, por não ser invasiva e realizar uma verdadeira "biópsia óptica", gerando imagens de excelente resolução, é, resguardando-se a necessidade de uma precisa indicação, uma ferramenta indispensável na propedêutica oftalmológica.

DA CONSULTA

A UNIMED DE FORTALEZA, através do Dr. Alequy Vasconcelos, Coordenador do Comitê de Especialidades, COMESP, no ofício 001/COMESP, de 07 de abril de 2004, solicita pronunciamento desta Câmara Técnica de Oftalmologia, perguntando:
(1) "Que benefícios advêm do uso do OCT (Tomografia de Coerência Óptica) e que patologias requerem sua indicação formal?"
(2) "Que outros métodos de diagnose podem ser indicados, com relação às patologias oculares, constantes do rol de procedimentos da ANS?"
(3) "A não consecução da OCT, altera o diagnóstico, prognóstico e terapêuticas destas patologias?"

DO PARECER:

  1. O tomógrafo de coerência óptica (Carl Zeiss Ophthalmic Systems, Inc. EUA) é um aparelho com o qual se realiza corte transversal virtual da retina, gerando imagens tomográficas de alta resolução e com alto grau de reprodutibilidade. A sua utilidade como procedimento diagnóstico oftalmológico resulta do fácil acesso óptico às estruturas do segmento posterior do olho. Como a imagem produzida é um verdadeiro corte transversal do tecido, ocorre uma "biópsia óptica" de excelente resolução.

  2. O OCT (do inglês optical coherence tomography) é semelhante ao ultra-som no modo B, no entanto ao invés da onda sonora, este utiliza luz com comprimento de onda infravermelho. Trata-se de uma técnica não invasiva na qual a luz é refletida ou absorvida pelos tecidos biológicos, propiciando a avaliação das estruturas intra-oculares opticamente acessíveis. É um exame de alta resolução (10 m), que realiza cortes seccionais da retina e coróide, podendo detectar alterações anatômicas corio-retinianas no plano z (profundidade da retina). As alterações detectadas são observadas como alterações relativas de refletividade na interface óptica obtida pelo uso do método de interferometria de baixa coerência.

  3. Utiliza-se um comprimento de onda próximo do infravermelho, sendo pequeno, portanto, o desconforto conseqüente ao exame. É um procedimento indolor de duração de 10 a 20 minutos. O aparelho não entra em contato com o olho do paciente e não requer a utilização de contraste.

  4. A imagem do OCT, na retina humana normal, mostra aspectos anatômicos como a fóvea, o perfil retiniano e o disco óptico, evidenciando as características morfológicas destas estruturas.

  5. O OCT é o único exame propedêutico que permite estabelecer uma diferença entre as diversas camadas retinianas: caracteriza a estrutura interna e sua relação intercelular.

  6. A avaliação quantitativa de dimensões de estruturas intra-oculares, através de cortes tomográficos transversais, dá ao exame o potencial de diagnosticar e avaliar os resultados do tratamento e da evolução das lesões. A sua utilização, nos últimos anos, se direciona, sobretudo, ao estudo de diversas maculopatias: coriorretinopatia serosa central, degeneração macular relacionada à idade, buraco macular, edema macular, membrana epirretiniana, uveítes e tração vítreo-macular, sendo, também, de grande utilidade no seguimento pós-tratamento cirúrgico, pós-injeção intravítrea de corticóide e pós-terapia fotodinâmica.

  7. O OCT vem também sendo usado no estudo do disco óptico no sentido de identificar e quantificar uma diminuição da espessura da camada de fibras nervosas. Trabalhos recentes mostram que esta diminuição precede, em muitos casos, as alterações de campo visual e da escavação do nervo óptico e que, uma vez detectada, permitiria um diagnóstico e um tratamento mais precoces, diminuindo o risco de progressão da doença.

  8. O OCT, por ter uma alta resolução, dez vezes maior que a da ressonância magnética nuclear, pode descobrir sinais microscópicos de alterações precoces do tecido estudado.

DA CONCLUSÃO:

A Câmara Técnica de Oftalmologia, respondendo à pergunta "Que benefícios advêm do uso do OCT (Tomografia de Coerência Óptica) e que patologias requerem sua indicação formal?", entende que o OCT é um exame não invasivo e de não contato que fornece imagens tomográficas da retina de alta resolução, beneficiando o diagnóstico, tratamento e prognóstico de diversas doenças vitreoretinianas. A imagem produzida é resultante de um corte transversal tecidual, com resolução que se aproxima à microscopia de luz, sem requerer biópsia cirúrgica, podendo ser entendido como uma "biópsia óptica".

Esse recurso estaria bem indicado nas diversas maculopatias: coriorretinopatia serosa central, degeneração macular relacionada à idade, buraco macular, edema macular, membrana epirretiniana, uveítes e tração vítreo-macular, sendo, também, de grande utilidade no seguimento pós-tratamento cirúrgico, pós-injeção intravítrea de corticóide e pós-terapia fotodinâmica. Outra indicação deste exame está na avaliação dos pacientes com suspeita de Glaucoma, de forma a favorecer um diagnóstico mais precoce desta patologia.

Quanto à pergunta "Que outros métodos de diagnose podem ser indicados, com relação às patologias oculares, constantes do rol de procedimentos da ANS?", esta Câmara Técnica de Oftalmologia pode afirmar ser a OCT o único exame propedêutico que consegue diferenciar em perfil as diversas camadas retinianas, permitindo a caracterização da estrutura interna e sua relação intercelular. Pela natureza desta tecnologia não há, no momento, um outro recurso propedêutico semelhante.

Já para a pergunta "A não consecução da OCT, altera o diagnóstico, prognóstico e terapêuticas destas patologias?", a resposta é Sim. Naquelas situações em que o exame esteja bem indicado, a sua não realização, assim como em qualquer outro procedimento médico, poderá alterar o diagnóstico e, conseqüentemente, o tratamento e prognóstico de algumas patologias.

 

Este é o parecer s. m. j.

Fortaleza, 28 de março de 2005

           

Dra. Danielle Limeira Lima Costa-CREMEC6881

Dr. Jailton Vieira Silva-CREMEC 5622

Dr. Manoel Augusto Dias Soares-CREMEC 1288