PARECER CREMEC nº 13/2008

19/05/2008


PROCESSO CONSULTA Protocolo CREMEC Nº 3305/08

ASSUNTO Abortamento

INTERESSADO DR. MÁRCIO ROCHA CRISÓSTOMO CREMEC 7164

PARECERISTA Câmara Técnica de Ginecologia e Obstetrícia 


DA CONSULTA



O consulente, através do requerimento protocolizado sob o nº 3305/08, listou as seguintes perguntas acerca de gravidez e abortamento:

  1. Há evidencias científicas comprovadas que relacionem abalo emocional e abortamento no primeiro trimestre da gravidez?
  2. Se sim, qual a freqüência desta ocorrência?
  3. É comum a ocorrência de abortamento espontâneo no primeiro trimestre da gravidez?
  4. Se sim, qual a incidência aproximada deste.
  5. Quais as possíveis e mais freqüentes causas de abortamentos em primeiro trimestre de gravidez em paciente primigesta jovem.



Instada a se manifestar, a Câmara Técnica de Ginecologia e Obstetrícia passa a expor.



DO PARECER



1 e 2. Há evidencias científicas comprovadas que relacionem abalo emocional e abortamento no primeiro trimestre da gravidez? Se sim, qual a freqüência desta ocorrência?


Considerações preliminares:

Atualmente  a literatura  classifica o abortamento quanto à intenção e à cronologia.

Quanto à intenção: o abortamento pode ser espontâneo, se ocorrer sem ação deliberada de qualquer natureza, ou induzido (provocado), caso a interrupção da gestação seja resultante de interferência intencional antes de alcançadas  as condições mínimas de sobrevida extra uterina do produto conceptual.                

Quanto à cronologia: o abortamento é denominado como precoce se a perda gestacional ocorrer até  12 semanas (1º trimestre)  e tardio  entre 13 e 20 semanas de gestação.

Com relação à incidência,  o abortamento representa a complicação mais freqüente  da gravidez. Aproximadamente ¼ (um quarto) das mulheres terá abortamento durante  sua vida reprodutiva. Ainda que a real incidência do abortamento  seja desconhecida, entre 15 e 20% das gestações clinicamente diagnosticadas terminarão em abortamento.

Não há evidências científicas comprovadas  que relacionem  abalo emocional e abortamento no primeiro trimestre..


3 e 4. É comum a ocorrência de abortamento espontâneo no primeiro trimestre da gravidez? Se sim, qual a incidência aproximada deste.


SIM. Em torno de 80% dos abortamentos ocorrem nas primeiras 12 semanas de gravidez. Destes, 50  a 80% apresentam alterações cromossômicas. A proporção de perdas fetais conseqüentes às alterações cromossômicas diminui com a progressão da gestação.

A trissomia autossômica é alteração mais freqüente ligada ao abortamento espontâneo do primeiro trimestre e representa 50% dos abortamentos de causa genética.


5. Quais as possíveis e mais freqüentes causas de abortamentos em primeiro trimestre de gravidez em paciente primigesta jovem.


Os abortamentos espontâneos são mais freqüentes nos extremos da vida reprodutiva (adolescência e mulheres com mais de 40 anos). Nas mulheres jovens são mais freqüentes abortos provocados, cuja incidência real é desconhecida devido à ilegalidade de tal procedimento no Brasil. Quanto ao abortamento espontâneo, segundo a literatura, ocorre em ¾ das vezes no primeiro trimestre de gestação e a causa mais comum é genético/cromossômica, respondendo por cerca de 50% dos abortamentos. Outras causas de abortamento citadas pela literatura são as infecções (rubéola, toxoplasmose, citomegalovírus, clamídia, mycoplasma hominis e ureaplasma urealyticum dentre outras), doenças sistêmicas (diabetes, hipotireodismo, deficiência de progesterona, LES, hipertensão), o uso abusivo do fumo e álcool, intoxicação (chumbo, arsênio, benzeno, etc), substâncias tóxicas (talidomida, antiblásticos, antagonistas do ácido fólico,etc), fatores imunológicos, defeitos uterinos adquiridos (miomas, sinéquias) ou congênitos (útero bicorno, septado, etc)


1 Leitura Suplementar

   Zugaib Obstetrícia  Secção 5

   Roberto Eduardo Bittar Pedro Paulo Perreira

   Adolfo Wenjaw Liao

   Intercorrências Obstétricas Cap 29, pág. 533





Fortaleza, 19 de maio de 2008.





Dr. Arnaldo Afonso Alves de Carvalho

Membro da Câmara Técnica de Ginecologia e Obstetrícia




Dra. Silvia Melo Cunha

Membro da Câmara Técnica de Ginecologia e Obstetrícia