PARECER CREMEC nº 24/2008

26/07/2008


PROCESSO CONSULTA: Protocolo 4597/08

INTERESSADO: Dr. José Alves da Silva CREMEC 4539.

PARECERISTA: Câmara Técnica de Ginecologia e Obstetrícia.

DA CONSULTA: Casos de Urgência e Emergência em Ginecologia


DO PARECER

Ocorrências clínico-cirúrgicas ginecológicas  assumem o caráter de urgência, quando suas manifestações adquirem intensidade e gravidade prognóstica, que exigem rápido diagnóstico e pronta assistência.

Deve-se salientar, entretanto, que o caráter de urgência pode ser real e absoluto ou apenas relativo em função do risco de vida ser imediato ou mediato. Assim, enquanto em certas situações (urgência real) a postergação de imediata assistência pode concorrer para morte de uma mulher, em outras condições o retardo do tratamento implicará o progressivo agravamento da entidade  e sua conseqüente transformação  de urgência relativa para urgência real.

Neste conceito infere-se a grande variabilidade de patologias ginecológicas que requerem urgência e emergência, sendo as mais freqüentes as que envolvem situações de natureza hemorrágica, inflamatória, mecânica, traumática e iatrogênica.

Especificamente em relação ao sangramento associado ao uso do DIU, o caráter de urgência pode ser real e absoluto somente se o sangramento for volumoso, trazendo instabilidade hemodinâmica e risco de vida para a usuária do referido dispositivo. Quanto à remoção do DIU nos casos de deslocamento do mesmo, embora deva ser realizada quando do seu diagnóstico, não se pode dizer tratar-se de uma urgência.

Segundo o manual de orientação Anticoncepção da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, editado em 2007, a expulsão parcial do DIU (deslocamento) é motivo para sua retirada, e toda mulher que escolhe o DIU deve ter acesso fácil à remoção do mesmo. Acrescenta ainda que não se deva recusar ou adiar desnecessariamente a remoção de um DIU quando a mulher a solicita, seja qual for a razão do pedido: pessoal ou médica.

Quanto ao mau posicionamento do DIU, mesmos DIUs que não estejam exatamente no fundo uterino podem estar ajustados e exercendo sua eficácia anticonceptiva. Como rotina prática, alguns serviços com grande experiência no uso de DIUs têm recomendado a retirada apenas quando a ecografia transvaginal identifica a extremidade inferior do DIU no orifício interno ou abaixo dele. Os estudos demonstram que a distância do DIU em relação ao fundo uterino, e mesmo ao miométrio, pode variar bastante, dependendo inclusive da fase do ciclo menstrual.



Leitura  Suplementar


1-Urgência  em Tocoginecologia  Busssâmara Neme José  A Pinotti Sarvier 1992 Brasil


2-Anticoncepção Manual de Orientação FEBRASGO 2007- Brasil



Fortaleza, 26 de julho de 2008


Arnaldo Afonso Alves de Carvalho 678

Coordenador da Câmara  Técnica de Gineco- Obst



Francisco das Chagas Medeiros - 3463

Membro da Câmara  Técnica de Gineco- Obst



Silvia de Melo Cunha - 4759

Membro da Câmara  Técnica de Gineco- Obst